Tinha que ser um dia só para elas... E gosto
de me incluir entre elas. Penso comigo... Mulheres têm sempre dupla
jornada, tripla... ou mais. Vivem muitas vidas numa só. Têm as vezes o
dom da suavidade, mas podem tornar-se
abrutalhadas... Mulheres não esquecem crianças dentro do carro num
estacionamento, mas já colocaram bebês em sacos de lixo... Mulheres têm
sua luta diária para corresponder bem a tantos papéis... Mulheres em
todas as suas nuances, das exigências da aparência, sempre cobrada,
sempre comparada, às exigências do mercado de trabalho, cada vez mais
agressivo e competitivo e no qual conquistaram o direito de se destar
sempre mais. Vão anos de história desde os tempos em que as sociedades
eram matriarcais, e a deusa, única, a sábia Mãe Natureza. Nos tempos em
que mulheres despem-se nas esquinas, na profissão mais antiga do
mundo... mulheres ainda se escondem dentro de burcas. Chamá-las de
bruxas em outros tempos foi a forma de lhes roubar o poder contido em
sua sabedoria. Mulheres podem curar com as mãos, podem tirar a vida numa
palavra. Mulheres desfilam em passarelas, vítimas da anorexia e
estouram em cima de camas, presas da compulsão. Mulheres amam demais...
às vezes têm que deixar ir... filhos, companheiros, amantes... Mulheres
guerreiam sem armas, às vezes com elas na mão, apodrecem nas prisões
mais que os homens. Mulheres são muitas vezes descartáveis, mulheres
também já aprenderam a cortar de suas vidas o que lhes tira o direito de
ser... apenas Mulher. Mulheres estampam rótulos, vendem produtos com
beleza, mulheres carregam a marca da violência, na pele, na alma, no
corpo, nos olhos. Uma luta diária... Mulheres sucumbem em segundos sob
tiros, mulheres resistem séculos, escondendo sua beleza sob o brilho
oculto de uma alma vencedora. Mulheres são amigas até o fim, mulheres às
vezes não perdoam, mulheres também traem e fazem sofrer. Mulheres
amamentam e roubam para alimentar seus filhos, mulheres também abandonam
suas crias... Há infinitas cores na vida de quem assume o feminino como
dom, porque ser feminina é carregar seu oposto em cada sorriso, em cada
ruga, em cada lembrança. Mulheres são humanas e dividem a vida com a
porção masculina do mundo... Ainda que sozinhas, ainda que abandonadas,
ainda que escolham amar outras mulheres. Mulheres estão no mesmo patamar
em que homens neste planeta azul, talvez num universo maior, carregando
no coração e a na alma a leveza e a alegria, o peso e a tristeza de
aprender a viver. Por tudo isso, e mais um pouco, não importa se o apelo
é comercial, é bom ter um dia da Mulher, para pensar, elogiar, receber
flores e renovar a disposição de viver e assumir o dom do feminino em
todas as suas nuances. Feliz Dia, então, para todas nós, Mulheres!
Imagem: wvasperi
Twitter: https://twitter.com/SilviaMello23
DEUS É FIEL
sexta-feira, 8 de março de 2013
sexta-feira, 9 de março de 2012
Mulher
Todas
as especiais
e as nem sempre da mesma espécie
Belas, idosas, calejadas
deficientes, lindas, mal-amadas
talentosas, viciadas, brilhantes
analfabetas, vencedoras, doces
delicadas, poderosas, cansadas
mães, líderes, oprimidas, independentes
prisioneiras, operárias
amantes, amigas
intuitivas, perdidas
idealistas, alienadas
descrentes, superadoras
anônimas, estrelas
e outras mais...
Apenas mulheres
na busca de ser
apesar da condição
no encontro de alma
além do rótulo
no caminho próprio
ainda que obscuro
Somente mulheres
de coração livre para escolher
fortes para realizar
presas ao elo mágico do mundo
frágeis em sua cumplicidade
com a Vida.
Imagem em blogdamadame
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DEUS É FIEL
quarta-feira, 7 de março de 2012
Pare de se maltratar! ------------> Siga o mapa!
Desperte com disposição para ser feliz.
Abra a janela. Sorria. Com chuva ou sol, não importa.
Não vale sorriso amarelo.
Abra a janela. Sorria. Com chuva ou sol, não importa.
Não vale sorriso amarelo.
Vista a roupa que mais lhe agrada.
Dê duas voltas na frente do espelho.
Não esqueça de se declarar amor.
Siga em rente. Saboreie o que mais lhe desperta prazer, sem culpa.
Desça os degraus, ganhe a rua. Respire.
Sinta a vida entrar em sua alma.
Caminhe. Se encontrar aquele problema, vire a esquina.
Amanhã você resolve.
Dê mais alguns passos à direita ou à esquerda, você decide.
Se tiver que escolher entre o urgente e o importante, escolha o importante.
O urgente sempre espera, o mundo não acaba porque algo é urgente.
Mas se deixar passar o importante, pode ser que não volte.
Suba ou desça as escadas, pegue o elevador, como quiser.
Se cruzar com um olhar de reprovação, ignore-o.
Há coisas que foram feitas para serem desprezadas. Sempre.
Trabalhe com disposição, com vontade, com motivação.
Coloque paixão naquilo que faz.
Quem faz o que gosta, alegra-se. Quem gosta do que faz, é feliz.
Relaxe, desligue-se por alguns momentos.
Vai perceber que flutuou acima do seu mapa.
Levante-se, vá até a janela. Conecte-se com o ambiente.
Realize-se apesar dos pesares do dia.
Considere todas as pessoas que encontrar como instrumentos para o seu crescimento.
Elas, na verdade, não representam mais que isso.
Se elas vão entrar, participar, permanecer ou sair de sua vida, depende de você.
Se elas vão entrar, participar, permanecer ou sair de sua vida, depende de você.
Siga em frente. Elogie-se por tudo o que fez.
Dê-se um presente no final da tarde.
Continue caminhando.
Agradeça pela oportunidade de mais um dia.
Diminua o ritmo.
Se depois de viver esse dia, você tiver uma surpresa, não recuse.
Espere o melhor, sem ilusões. Busque o sonho, com confiança.
Se estiver com preguiça, comece na Segunda, mas comece.
Pare de se maltratar!
Imagem em espaçoplussize
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DEUS É FIEL
De segredos e sentidos
Queria descobrir o segredo
encontrei o sentido
Seria fácil apenas passar pelo tempo
e depois de tudo, partir
Difícil é renovar-se a cada dia
tornar menores, os grandes obstáculos
crescer... quando se sente pequeno diante deles
Mas o vento soprou amor
em cada curva dessa estrada
e o desafio tornou-se sedução.
Imagem em cyberartes
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DEUS É FIEL
sábado, 18 de fevereiro de 2012
De seres que se lembram da luz
Somos seres
feitos de pequenas proezas
que invocam
a espada do herói
ou vestem a capa do medo
Somos seres
num mar de sonhos
que chegam calmos
em barcos de papel
surpreendem
à beira de naufrágios
sedutoras tempestades
encantam
em loucos cantos de sereia
Somos seres
soltos
espíritos livres
aprisionados em corpos
que limitam, encerram
vibram na cor de corações
transportados em vôos de emoção
Somos seres
por um tempo, alheios
aos segredos profundos
que a alma jamais
esquece
Somos, sim, seres
contraditórios
entre céu e fel
divididos
na amargura doce de viver
que palpitam
da alegria ao sulco de dor
por vezes vislumbram
essência
um voltar para casa
onde a alma permanece
é quando lembram
do antes, o começo
num retorno de ser
por uma brecha no olhar
rastro de Deus
os seres
que sempre fomos
Seres de Luz.
Imagem em Caxemira AFP noticiasuol
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DEUS É FIEL
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
De viagens que começam com a força da decisão
Ela bateu a porta sem olhar para trás.
Não avisou da partida.
As malas eram testemunhas quietas.
Evitou lágrimas na despedida.
Na bagagem não havia lugar para saudade.
Seus passos eram firmes, o coração parecia leve.
Na estação, o vento soprava frio.
Mas a alma aquecia-se do calor da liberdade.
Seu corpo vibrava a alegria da decisão.
Escolhera, afinal, um caminho: partir.
E na mente não havia sequer um vislumbre de futuro.
O que viria depois era capricho do destino.
Quando o trem chegou, seus lábios tremeram.
Enfrentar a própria decisão era para quem tinha coragem.
A emoção? Um misto de medo e vontade de aceitar o desafio.
Tomar aquela atitude era lançar-se num mar de insegurança.
Porém, ela estava segura de que aquele era o caminho.
E seguiu na aventura, rumo ao sonho, viajando sobre trilhos.
Na certeza de que algo novo chegaria para preencher
com vida, o vazio dos seus dias. As malas eram testemunhas quietas.
Evitou lágrimas na despedida.
Na bagagem não havia lugar para saudade.
Seus passos eram firmes, o coração parecia leve.
Na estação, o vento soprava frio.
Mas a alma aquecia-se do calor da liberdade.
Seu corpo vibrava a alegria da decisão.
Escolhera, afinal, um caminho: partir.
E na mente não havia sequer um vislumbre de futuro.
O que viria depois era capricho do destino.
Quando o trem chegou, seus lábios tremeram.
Enfrentar a própria decisão era para quem tinha coragem.
A emoção? Um misto de medo e vontade de aceitar o desafio.
Tomar aquela atitude era lançar-se num mar de insegurança.
Porém, ela estava segura de que aquele era o caminho.
E seguiu na aventura, rumo ao sonho, viajando sobre trilhos.
Na certeza de que algo novo chegaria para preencher
Imagem em karlabardanza
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DEUS É FIEL
terça-feira, 4 de outubro de 2011
PALAVRAS NO ESPELHO
A palavra meia
enganava
na beleza da frase
A palavra rude
lapidava
na pressa da surpresa
A palavra simples
iluminava
no saber da oferenda
A palavra nua
escondia
a clareza da intenção
A palavra lúdica
encantava
na seriedade do verso.
Imagem em novoespelhosecreto
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DEUS É FIEL
domingo, 11 de setembro de 2011
Melhor do que comprar sapatos
A manhã se entregava promissora só porque era domingo.
Sair às ruas seria natural. E eu fui levada pelas duas pequenas poudles.
Na volta do passeio, percorri as antigas e estreitas ruas do centro, de volta à casa.
E na sombra do outro lado da rua, lá estava ele, cabelos muito curtos, óculos finos, nem alto nem baixo, nem moço nem velho, mais magro do que gordo.
Um homem diante da vitrine de calçados femininos.
A cena era no mínimo interessante, o vidro espelhava sua imagem, enquanto eu diminuía meus passos, esperando que as cachorrinhas cheirassem cada centímetro das pedras do chão. E eu estivesse livre para soltar meu espírito repórter e investigar.
O que levaria um homem, numa rua semi-deserta, na manhã de domingo a espreitar tão divinamente a vitrine de sapatos de mulher, ainda que a loja estivesse fechada?
E observei atentamente, por trás dos ombros do homem, seu olhar percorrendo as inúmeras opções. Desde as sapatilhas coloridas com laços e modelos abertos na ponta, subindo para os modelos de sapatos fechados com plataforma, e os de saltos médios, elegantes, até o alto da vitrine onde figuravam os modelos com saltos muito altos e plataformas à drag queen.
Ele se entregava embevecido à admiração por cada modelo, minuciosamente.
E eu me lançava no redemoinho da imaginação. Estaria ele escolhendo um presente para sua mãe? Hummm não! Os modelos o seduziam... Talvez para sua esposa, namorada, amante?
Se eu contasse a alguém mais malicioso cogitaria que era um fetiche por pés ou ele estava escolhendo um modelo feminino, secretamente, para si mesmo.
A aura de mistério crescia. Eu poderia simplesmente atravessar a rua e oferecer ajuda, perguntar para quem era o presente.
Mas meu espírito detetive me manteve à distância.
Tanto que ele seguiu seu caminho, não sem antes dar uma última olhada à profusão de sapatos ao estilo Cinderela - apenas um pé de cada modelo, e certamente, imaginar a beleza de um corpo feminino conduzido por eles.
Enquanto o homem subia a rua, em direção à praça, diminuindo de tamanho a cada passo, eu me encaminhava à esquina e a dobrava no exato momento em que ele desaparecia de minha visão, no topo do calçadão.
O homem seguiu sem me revelar seu mistério, mas observá-lo em sua devoção diante da vitrine de calçados femininos foi, naquele momento, melhor do que comprar sapatos.
Nem sempre o que se revela é melhor do que a aventura de imaginar o que seria...
Imagem em dicafeminina
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DEUS É FIEL
Do que o amor pede... e o que pedir ao amor?
O amor pede atração dos olhos
empatia da voz
química do gosto
O amor pede cumplicidade
pacto
fidelidade
O amor pede aceitação
compreensão
entrega
Se quer amor, não peça nada
mas não aceite o que vier
Escolha quem enxerga a sua alma
vibra com a sua voz
estremece com o seu gosto
é fiel
compromete-se com você e com a relação
elogia sua beleza
admira seu talento
aceita seu jeito único de ser
compreende seu modo de estar no mundo
respeita seus limites
e se entrega sem reservas.
Imagem: "Nu com Copos de Leite", Diego Rivera (1944)/
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DEUS É FIEL
sábado, 18 de junho de 2011
UM DIA DE CADA VEZ
Hoje eu escrevo para você que, como eu, foi afetado (a) pelo beber excessivo de alguém.
E não estou aqui para dizer das estatísticas da Organização Mundial de Saúde sobre a doença que mata “socialmente”, nem para criticar a falsa alegria dos bares, e tampouco para fazer a apologia dos sóbrios.
Apenas conto o que vivi...
Se você se sente inadequado nas reuniões sociais, meio peixe fora d’agua, meio estranho, se acha que sua família está diferente das outras e você mesmo começa a ter atitudes um pouco estranhas e até ser tachado de maluco, a boa notícia é que você não está sozinho e a má... é que você pode ficar maluco mesmo. Se não tomar providências.
O beber excessivo de alguém afeta quem convive com ele de diversas maneiras: provocando a solidão e o isolamento, as agressões físicas e verbais, a tortura psicológica, e se reflete nas relações sociais, na vida profissional e financeira, no relacionamento afetivo e sexual, na educação dos filhos e no bem-estar emocional da família.
Mas, o beber excessivo de alguém faz seu maior estrago no que se chama hoje, ainda que não clinicamente, de co-dependência. O termo não é novidade, mas reúne em seu significado específico, nascido do relacionamento com um alcoólico, diversos aspectos do comportamento de quem convive com um dependente, seja ele de álcool, seja ele dependente químico de qualquer natureza.
Em linhas gerais, o “co-dependente” de um alcoólico desaprende de cuidar de si mesmo para tentar mudar o outro, mudar o beber excessivo do outro e se esquece de colocar seu foco na própria vida. Suas atitudes e toda a sua estrutura emocional se alteram, provocando conseqüências que vão do isolamento social ao suicídio ou patologias graves que têm conseqüências psicológicas e físicas que podem levar à morte. Diversas doenças diagnosticadas hoje têm sua relação claramente ligada à co-dependência.
E foi lendo o livro Mulheres que Amam Demais, de Robin Norwood, que acordei definitivamente para a questão da seriedade das conseqüências de querer mudar o beber excessivo de alguém. Visto por muitos como mais um livro de auto-ajuda, esse best seller dos anos 1980, que encontrei há poucos anos, aborda com precisão a ligação entre a dependência emocional, para quem tem a predisposição, e o alcoolismo.
Ou seja, mulheres, no caso do livro, mas estende-se aos homens também, com predisposição emocional unem-se a alcoólicos e fecham o ciclo da co-dependência. Aí funciona a lei da atração. E o livro traz ainda um impressionante gráfico comparativo entre a evolução do alcoolismo no dependente e a da co-dependência em quem convive com um. Em ambos os casos, a conseqüência pode ser a morte. Por motivos diversos, na maioria das vezes não associados ao alcoolismo.
Mas o livro mostra também caminhos para a recuperação. E foi depois de lê-lo que procurei o Al-Anon, Associação de Familiares e Amigos de Alcoólicos, há alguns anos. E recuperar-se da convivência com um alcoólico é colocar o foco em si mesmo e como afirma um dos lemas do grupo: Viva e Deixe Viver.
Fácil? Não para quem está acostumado a controlar, quem está na ilusão de que pode controlar o outro e suas atitudes. Deixar a parceria com o álcool é algo que somente a pessoa pode decidir. Não cabe a mais ninguém. Reaprender a cuidar de si mesmo, no caso do co-dependente já é muito.
E a receita tem ingredientes diversos. Desligar-se emocionalmente das atitudes do alcoólico. Sair do controle, e entregar tudo o que não pode controlar a um Poder Superior, seja ele um deus, o próprio Deus, a força da natureza ou o vazio em que crê um ateu. Sem dúvida, é um caminho espiritual, não importando em que você acredite. E isso é apenas o começo.
Compartilhar experiências, ler sobre o tema e praticar a programação sugerida são os instrumentos básicos para essa recuperação. A integração quebra o isolamento e a informação combate a negação. Mas a decisão e a atitude são escolhas de cada um. Os resultados são surpreendentes. Presto serviço coordenando reuniões de estudo no Alanonport, um grupo online, e comprovei isso em depoimentos de diversas pessoas. Além da minha experiêncie pessoal.
De resto, é confiar em si mesmo e no processo da vida.
Mas o milagre é Viver um dia de Cada Vez.
Literatura não Al-Anon indicada:
Co-Dependência Nunca Mais e Para Além da Co-Dependência, de Melody Beattie, editora Record.
Imagem: sorisomail
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